
“Bença, vô!” “Deus te abençoe, meu fio”
A frase transcrita acima está correta? E se ela fosse só pronunciada, estaria correta? No lugar da amorosidade desse momento, tanta coisa estranha tenho tido que escutar, como o caso do livro didático “Aprendendo a Viver” que foi impresso e distribuído para alunos no Brasil mostrando a diferença entre a língua falada e a escrita e que questiona o benefício de uma em detrimento da outra. Coisa pela qual minha mente reclama: essa discussão só aos ditos “cultos” interessará. O fato é que a língua portuguesa é livre, sem donos nem mandachões com o único objetivo de possibilitar comunicação. Inclusive, interessante falar sobre a palavra “co-mu-ni-ca-ção”, que tem exatamente a definição de passar uma mensagem e a mesma ser entendida pelo receptor. Pois bem, sendo assim, do que adianta, meus senhores, tanta pompa e regras se no fim o uso da língua será domada e dominada pelos mais distintos níveis de pessoas que usam dela em sua plenitude de falar, serem ouvidos, entendidos, e receberem falas como resultado.
Tanta discussão sobre o fato não traduz e nem resolve a realidade diária e prática que nunca deixará de existir por tantos motivos ligados a deficiência da Educação e características da regionalidade . Não seria mais fácil, meus senhores, adequar o ensino e as regras para que os pequenos consigam adequá-las ao seu dia a dia? E se os linguistas forem honestos, verão que nem conseguem jogar o próprio jogo, pois quem nunca cometeu erros frívolos da norma culta e no fim saíram sem nenhuma dificuldade no quesito comunicação?
Está certo, entendemos que a padronização da língua é necessária para que ela não se perca ao longo do caminho, mas não seria inteligente pensar nas mais variadas formas de comunicação e deixar explicado para todos a diferença da fala e da escrita? Talvez estejamos cara a cara com um novo tempo, um tempo em que nesse país tão grande (fora os demais países de língua portuguesa) que é o Brasil se caracterize por duas línguas. A falada e a escrita. A falada se caracteriza sem dono, com neologismos diversos e diversidade de silabas tônicas, devido aos sotaques. Que nos faz encontrar no outro uma nova língua e fonte interminável de aprendizado e troca. Quando uma criança vai à casa dos avós e pede a benção e recebe a resposta esperada em troca, independente se obedeceu a todas as regras ortográficas inerentes a palavra, não foi diminuido o valor do momento. E a língua escrita, que traz regras, normas, fora as exceções – e quantas são! -, ela traz um padrão importante, confesso, para a igualdade e entendimento da língua. Ou seja, as duas são importantes.
Então, com todo esse problema em voga, proponho uma solução: que se oficialize a patentiação de duas línguas operantes em nosso país, a escrita e a falada. E que se reformule todo o modo de encartilhar e alfabetizar as crianças, para que essas cresçam educacionalmente reconhecendo mais uma preciosidade desse país tão diverso.
Aliás, como um só governo, padrões e regras, consegue reger tantas gentes de um lugar muito maior que muitos lugares?
Esse país estranho, marcado por desigualdades e características únicas a cada passo que se dá, mais parece com um leão selvagem solto e indomável e que fatalmente ferirá aquele que quiser domá-lo.
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